top of page

Procuração para brasileiros no exterior: como fazer e usar no Brasil

  • Foto do escritor: Rodrigo Ghiggi
    Rodrigo Ghiggi
  • há 2 horas
  • 6 min de leitura

Quem mora no exterior pode precisar vender um imóvel, participar de um inventário, assinar contratos, movimentar questões bancárias, solicitar documentos ou acompanhar um processo no Brasil.

Na maioria dessas situações, não é necessário viajar ao país apenas para praticar o ato. A pessoa pode nomear alguém de sua confiança ou constituir um advogado por meio de procuração.

Entretanto, não basta utilizar um modelo genérico encontrado na internet. A procuração precisa ser elaborada de acordo com o ato que será praticado e atender às exigências do cartório, banco, órgão público ou processo judicial em que será apresentada.


O que é uma procuração?

A procuração é o documento pelo qual uma pessoa, chamada outorgante, concede poderes para que outra, denominada procurador ou outorgado, pratique determinados atos em seu nome.

Esses poderes podem ser mais simples, como solicitar uma certidão ou acompanhar um procedimento, ou mais amplos, como representar o proprietário na venda de um imóvel, participar de inventário, assinar escritura, receber valores ou dar quitação.

É justamente por isso que cada procuração deve ser preparada conforme sua finalidade.


Como fazer uma procuração para brasileiros no exterior?É possível fazer uma procuração estando fora do Brasil?

Sim. Existem diferentes formas de emitir uma procuração no exterior para utilização no Brasil. A escolha dependerá da nacionalidade do outorgante, do país onde ele se encontra, do ato a ser praticado e das exigências da instituição que receberá o documento.

As três possibilidades mais comuns são:

  1. procuração lavrada em consulado brasileiro;

  2. procuração feita perante notário estrangeiro;

  3. procuração eletrônica realizada por tabelionato brasileiro pelo e-Notariado.

1. Procuração feita no consulado brasileiro

O brasileiro que mora fora pode solicitar uma procuração pública perante uma repartição consular brasileira.

Por ser lavrada por autoridade consular brasileira e redigida em português, essa modalidade normalmente pode ser utilizada diretamente no Brasil, sem necessidade de Apostila de Haia ou tradução juramentada.

Em regra, a procuração pública consular exige:

  • cadastro ou solicitação pelo sistema e-Consular;

  • apresentação dos documentos exigidos;

  • agendamento;

  • comparecimento do outorgante à repartição consular.

Os requisitos podem variar conforme o consulado responsável pelo atendimento.

Antes de solicitar o serviço, é recomendável preparar o texto da procuração e confirmar quais poderes deverão constar no documento. O consulado pratica o ato notarial, mas não substitui a análise jurídica da situação que será resolvida no Brasil.


2. Procuração feita perante notário estrangeiro

Outra possibilidade é elaborar a procuração no país onde a pessoa reside e assiná-la perante um notário local.

Se o país integrar a Convenção da Apostila da Haia, o documento deverá ser apostilado pela autoridade competente do próprio país em que foi emitido.

Se o país não fizer parte da Convenção, poderá ser necessária a legalização perante a repartição consular brasileira competente.

Para produzir efeitos no Brasil, o documento estrangeiro também poderá precisar de:

  • tradução para o português por tradutor juramentado;

  • registro em Cartório de Títulos e Documentos;

  • atendimento a exigências específicas do órgão ou cartório destinatário.

A Apostila de Haia não analisa o conteúdo da procuração. Ela certifica a autenticidade formal da assinatura, da função exercida pelo signatário e, quando aplicável, do selo ou carimbo utilizado no documento.

Por isso, mesmo uma procuração regularmente apostilada pode ser recusada se não contiver os poderes necessários para o ato pretendido.


3. Procuração pelo e-Notariado

Também pode ser possível lavrar uma procuração pública eletrônica perante um tabelionato brasileiro por meio do e-Notariado.

O procedimento envolve videoconferência com o tabelião, assinatura digital e utilização de certificado digital notarizado ou certificado ICP-Brasil.

A identificação para emissão do certificado notarizado pode, em determinadas situações, ser realizada remotamente. A disponibilidade, a competência territorial do tabelionato e as condições para identificação do interessado devem ser verificadas previamente.

Essa alternativa pode facilitar o atendimento de brasileiros que vivem no exterior, mas sua viabilidade deve ser confirmada em cada caso.


Procuração pública ou particular: qual escolher?

A resposta depende da finalidade.

A procuração particular pode ser suficiente para determinados atos administrativos e para a representação em processos judiciais. No processo civil, porém, alguns poderes precisam constar expressamente, como receber citação, confessar, transigir, desistir, renunciar ao direito discutido, receber valores, dar quitação e assinar declaração de hipossuficiência.

Outros atos exigem procuração pública com poderes especiais.

No inventário extrajudicial, por exemplo, o herdeiro ou viúvo que não comparecer pessoalmente deverá ser representado por procuração pública com poderes especiais.

No divórcio consensual realizado por escritura pública, a representação também exige instrumento público, descrição das cláusulas essenciais, poderes especiais e observância do prazo próprio do mandato.

Negócios envolvendo imóveis, escrituras e atos perante registros públicos igualmente exigem atenção especial à forma do documento e à descrição dos poderes.

Portanto, a escolha entre procuração pública e particular não deve ser feita apenas pela facilidade ou pelo custo. É necessário identificar previamente onde o documento será utilizado.


Quais informações devem constar na procuração?


Uma procuração bem elaborada deve identificar corretamente:

  • o outorgante;

  • o procurador;

  • a finalidade do mandato;

  • os órgãos perante os quais o procurador poderá atuar;

  • os atos que ele estará autorizado a praticar;

  • eventuais limitações;

  • o prazo de validade;

  • a possibilidade ou não de substabelecimento.

Quando a procuração envolver um imóvel, recomenda-se individualizar o bem, preferencialmente com endereço e dados da matrícula.

Se houver autorização para vender, o documento deverá esclarecer, conforme o caso, se o procurador poderá negociar condições, assinar contrato e escritura, transmitir posse, receber valores, dar quitação, pagar tributos e representar o proprietário perante cartórios e órgãos públicos.

Para inventários, é importante especificar poderes para representar o herdeiro, prestar declarações, concordar com a partilha, assinar escritura ou documentos judiciais e praticar os atos necessários ao procedimento.

Poderes excessivamente genéricos podem provocar exigências, atrasos ou recusa do documento.


É seguro conceder uma procuração ampla?

Procurações muito amplas aumentam os riscos para o outorgante.

Sempre que possível, o documento deve limitar:

  • o objetivo do mandato;

  • os bens envolvidos;

  • os poderes concedidos;

  • o prazo de validade;

  • a possibilidade de receber valores;

  • a autorização para transferir poderes a terceiros.

A procuração deve permitir a realização do ato necessário, mas não conceder poderes que não tenham relação com a finalidade pretendida.

Também é importante escolher cuidadosamente o procurador e manter cópia integral do documento emitido.


O advogado pode preparar o texto antes da emissão?


Sim. Essa é uma das medidas mais importantes para evitar retrabalho.

O advogado pode analisar a finalidade do mandato, verificar as exigências da instituição que receberá o documento e preparar uma minuta com os poderes adequados.

Depois disso, o interessado poderá apresentar o texto ao consulado, ao notário estrangeiro ou ao tabelionato brasileiro, conforme a modalidade escolhida.

Essa análise prévia reduz o risco de a pessoa emitir uma procuração no exterior e descobrir, somente depois, que o documento não permite praticar o ato pretendido.


Posso resolver tudo sem viajar ao Brasil?


Muitas questões podem ser iniciadas e acompanhadas à distância, inclusive inventários, processos judiciais, contratos, atos relacionados a imóveis e regularizações documentais.

Contudo, a possibilidade de concluir todo o procedimento remotamente dependerá da natureza do caso, dos documentos disponíveis e das exigências do cartório, banco, órgão público ou autoridade responsável.

Por isso, o primeiro passo não deve ser emitir uma procuração genérica. O ideal é identificar o problema, verificar o procedimento adequado e somente depois elaborar o mandato.


Perguntas frequentes


A procuração consular precisa de Apostila de Haia?

Em regra, não. A procuração lavrada por repartição consular brasileira é um ato consular brasileiro e normalmente pode ser utilizada diretamente no país.

Onde devo apostilar uma procuração feita por notário estrangeiro?

A apostila deve ser emitida pela autoridade competente do país em que o documento foi produzido. Um cartório brasileiro não apostila documento estrangeiro.

A procuração estrangeira precisa de tradução juramentada?

Como regra, documentos em idioma estrangeiro que produzirão efeitos perante autoridades brasileiras precisam ser traduzidos para o português por tradutor juramentado. A exigência concreta deve ser confirmada conforme a finalidade do documento.

Posso usar uma procuração particular em um inventário?

No inventário extrajudicial, a representação do herdeiro ou viúvo exige procuração formalizada por instrumento público com poderes especiais. Em inventário judicial, a representação processual possui regras próprias.

Uma procuração genérica permite vender um imóvel?

Nem sempre. Cartórios costumam exigir poderes especiais e expressos, além da correta identificação do imóvel e dos atos que o procurador poderá praticar.

É possível revogar uma procuração estando no exterior?

Sim. A forma de revogação dependerá do tipo de procuração e de como ela foi emitida. Também é importante comunicar formalmente a revogação ao procurador e às instituições perante as quais o mandato possa ser utilizado.


Precisa resolver uma questão no Brasil morando no exterior?

Você não precisa saber antecipadamente qual tipo de procuração utilizar. O primeiro passo é explicar o que precisa ser resolvido.

A partir da análise do caso, é possível identificar:

  • qual modalidade de procuração é adequada;

  • quais poderes deverão constar;

  • quais documentos serão necessários;

  • se haverá apostilamento, tradução ou registro;

  • quais atos poderão ser realizados à distância.


Procuração para brasileiros no exterior para resolver assuntos no Brasil


Escolher um bom advogado vai muito além do nome em uma lista. É importante buscar experiência, transparência e atendimento personalizado. Em Lages e na Serra Catarinense, o escritório Ghiggi Advocacia se destaca por unir atendimento humano e conhecimento técnico, atendendo causas cíveis, inventários, divórcios e defesas bancárias com foco na solução prática dos conflitos.


Com isso, podemos afirmar que procuração para brasileiros no exterior para resolver assuntos no Brasil é possível, viável e econômico.


O atendimento a brasileiros residentes no exterior pode ser realizado por videoconferência, com análise individual da questão existente no Brasil.

Fale com a Ghiggi Advocacia e descubra o caminho adequado para resolver sua demanda no Brasil com segurança.

Fontes oficiais consultadas

Conteúdo informativo. A solução adequada depende das circunstâncias e dos documentos de cada caso.

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page