Imóvel com defeito oculto: infiltração, rachaduras e outros problemas comuns
- Rodrigo Ghiggi

- há 3 dias
- 3 min de leitura
Quem compra um imóvel geralmente acredita que os problemas vão aparecer logo no início — na vistoria, na entrega das chaves ou nos primeiros dias.Mas nem sempre é assim.
Muitos defeitos só se manifestam com o uso do imóvel, com o tempo, com a chuva ou com a mudança de estação. E é aí que surgem situações como infiltrações, rachaduras, falhas elétricas e vazamentos internos.
A pergunta é inevitável:quem responde por esses problemas?
Do ponto de vista jurídico, a resposta é: depende da origem do defeito e da forma como o imóvel foi vendido.

O que a lei considera defeito oculto em imóvel? Ou Imóvel com defeito, e agora?
Defeito oculto é aquele que:
já existia no momento da venda
não era perceptível em uma vistoria comum
só se revela posteriormente, com o uso normal do imóvel
Não se trata de mero desgaste natural ou falta de manutenção do comprador.Estamos falando de vícios que comprometem:
a habitabilidade
a segurança
ou o valor do imóvel
Principais defeitos ocultos em imóveis
Na prática, alguns problemas aparecem com muito mais frequência nos atendimentos jurídicos.
Infiltração e umidade excessiva
A infiltração é, de longe, o defeito oculto mais comum.
Ela pode decorrer de:
falhas de impermeabilização
problemas em lajes ou fundações
vazamentos internos não aparentes
defeitos na estrutura do prédio ou da unidade vizinha
Quando a infiltração surge pouco tempo após a compra e não decorre de mau uso, ela costuma caracterizar vício oculto relevante.
Rachaduras e trincas em paredes e estruturas
Nem toda rachadura é grave, mas algumas exigem atenção jurídica.
Especialmente quando:
surgem logo após a aquisição
aumentam com o passar do tempo
atingem vigas, pilares ou lajes
Nesses casos, pode haver indício de problema estrutural, e não apenas estético.
Problemas elétricos ocultos
São mais comuns do que se imagina.
Exemplos:
fiação inadequada ou subdimensionada
quedas constantes de energia
risco de curto-circuito ou incêndio
Defeitos elétricos ocultos afetam diretamente a segurança do imóvel e não podem ser tratados como simples desgaste.
Vazamentos hidráulicos internos
Vazamentos dentro de paredes ou sob o piso:
costumam passar despercebidos na vistoria
só aparecem quando o dano já está avançado
Quando o problema já existia antes da venda, há possibilidade de responsabilização, mesmo que o dano só se torne visível depois.
Quem responde pelo defeito oculto?
A responsabilidade varia conforme a relação jurídica:
Construtora ou incorporadoraAplica-se o Código de Defesa do Consumidor. O fornecedor responde pelos vícios do imóvel.
ImobiliáriaPode responder conforme sua participação na negociação e no dever de informação.
Venda entre particularesAinda assim pode haver responsabilidade, especialmente quando o defeito já era conhecido e foi omitido.
Cada caso exige análise do contrato, da publicidade e das circunstâncias da venda.
Qual é o prazo para reclamar?
Um ponto importante:o prazo para defeito oculto não começa na data da compra, mas sim no momento em que o problema se manifesta.
Por isso, é fundamental:
registrar o defeito assim que surgir
documentar com fotos, vídeos e mensagens
evitar reformas antes de preservar as provas
A demora costuma dificultar a solução.
Um erro comum de quem compra imóvel
Muitos compradores:
tentam resolver informalmente por meses
aceitam explicações genéricas
ou só procuram ajuda quando o prejuízo já aumentou
Do ponto de vista jurídico, isso pode enfraquecer a prova, mesmo quando o direito existe.
Conclusão
Comprar um imóvel e descobrir infiltrações, rachaduras ou outros defeitos ocultos não significa que o prejuízo deva ficar com o comprador.
A lei protege quem age de boa-fé — mas exige:
prova
estratégia
e atuação no momento correto
Cada situação precisa ser analisada individualmente, porque defeito oculto não é sinônimo de problema sem solução.

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